lunes, 24 de agosto de 2020

CADEIA PRODUTIVA DO ARROZ ENFRENTA CRISE COM ÓTIMOS RESULTADOS

Desempenho extremamente positivo do grão em 2020 espalha otimismo em toda cadeia produtiva

CAMILA DOMINGUES/PALÁCIO PIRATINI/DIVULGAÇÃO/JC

Presença constante na mesa dos brasileiros de todas as regiões do País, o arroz experimenta um desempenho extremamente positivo em 2020, que espalha otimismo em todos os braços da cadeia produtiva, apesar da crise gerada pelo novo coronavírus. No embalo da desvalorização do real frente ao dólar, as exportações do grão bateram recorde no primeiro semestre, enquanto o isolamento social e o temor de desabastecimento provocaram um aumento de demanda interna valorizando o produto e mantendo a produção industrial a pleno. 

Arroz brasileiro amplia espaço no mercado interno e ultrapassa fronteiras

 Corrida inicial aos supermercados entre março e abril - quando o temor de desabastecimento se espalhou pelo Brasil -, e a retomada por parte da população do hábito de preparar as refeições favoreceram o cenário positivo de agora

/LUCIANA ALVES/DIVULGAÇÃO/JC

Álvaro Guimarães *

Beneficiado pelo dólar na casa dos R$ 5,00 e pelo aumento do consumo global, o arroz brasileiro ganhou espaço e competitividade no mercado externo, ao mesmo tempo em que foi essencial para abastecer os consumidores nacionais ávidos por manter suas despensas cheias nos primeiros tempos da pandemia, temendo um desabastecimento geral. 

A corrida inicial aos supermercados entre março e abril - quando o temor de desabastecimento se espalhou pelo Brasil -, o aumento das ações públicas e particulares de distribuição de cestas básicas à população de baixa renda e a retomada por parte da população do hábito de preparar as próprias refeições são outros fatores que favoreceram o desenho do cenário positivo de agora.

Os resultados obtidos até agora animam o setor responsável por 50 mil empregos diretos, distribuídos por 184 indústrias e oito mil propriedades rurais instaladas no Rio Grande do Sul, e ajudam a salvaguardar parte da abalada economia gaúcha, que conforme análises recentes divulgadas pelo governo do Estado deve encolher, no mínimo, 10% este ano.

O Sumário Executivo do Arroz, divulgado pelo Ministério da Agricultura em julho, indica que, no primeiro semestre do ano, as exportações chegaram a 953 mil toneladas ao valor de US$ 266 milhões. Isso representa um aumento de 40% com relação ao mesmo período do ano passado, quando 679 mil toneladas deixaram o País movimentando US$ 169 milhões.

Somente em junho, o volume exportado chegou a 316,1 mil toneladas, o que representou um incremento de 1.108% na comparação com o mesmo mês de 2019 e, conforme os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, superou o recorde mensal de embarques registrado em dezembro de 2018 quando foram negociadas 287,1 mil toneladas. A composição das vendas para o exterior em junho deste ano foi de 27,8% de arroz quebrado, 30% de arroz em casa e 42% do grão beneficiado - os principais destinos foram países da América Latina como Costa Rica, México e Venezuela.

Aliado a este contexto favorável, os primeiros meses do ano encontraram os estoques nacionais baixos devido aos bons resultados das exportações no ano anterior, o que causou uma valorização quase imediata do produto. A saca de 50 quilos de arroz irrigado, por exemplo, começou o ano vendida a R$ 54,00 em Pelotas e, nos dias atuais, está cotada em R$ 67,00. Na indústria, a valorização foi semelhante: em fevereiro, o saco de 60kg de arroz tipo 1 Agulhinha era comercializado a R$ 115,00 no Rio Grande do Sul, e, agora, custa R$ 157,00.

"A pandemia colocou o arroz em um outro patamar e, apesar de todo o contexto, é um ano muito bom para a cadeia como um todo e que favorece a recuperação do setor", comenta Marco Aurélio Amaral Júnior, presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Arroz Parboilizado (Abiap).

O fato de o Brasil não ter paralisado a indústria de alimentos nos primeiros meses de ajuste das regras de isolamento social é apontado pelo executivo como mais um ponto a favor do grão. Com liberdade para trabalhar, as fábricas mantiveram a produção a pleno e puderam buscar ampliar suas carteiras de clientes dentro e fora do País.

Porém, afora o vírus e seus efeitos devastadores, nada disso soa como novidade aos integrantes da cadeia produtiva que já viveram dias de preços em alta, mercado em expansão e otimismo espraiado. "Em 2008, tivemos um cenário semelhante, com a tonelada do arroz vendida a US$ 1 mil e nos enganamos achando que seria um momento duradouro, mas não aconteceu a esperada corrida pelo produto e os preços despencaram", lembra Amaral Júnior.

A partir disso, o executivo defende um olhar mais crítico sobre o cenário futuro de curto prazo especialmente fora do País, pois em setembro os Estados Unidos - principal concorrente brasileiro na América Latina - começa a colher sua safra e isso irá reduzir o número de compradores em países como México, Costa Rica, Nicarágua e Porto Rico, por exemplo.

"Estamos imaginando estar subindo a ladeira, mas não houve um aumento real de consumo, somente aumentos pontuais. Acredito que o mercado está começando a voltar aos patamares anteriores então precisamos aproveitar para trabalhá-lo e ver como manter os patamares atuais sem depender da especulação", avisa.


Qualidade como cartão de apresentação

/Com ou sem aumento das plantações, corretores e indústria devem começar a procurar novos compradores para a produção 2020-2021, afinal a consolidação de novos negócios é a forma mais certeira de evitar perdas. Para isso qualidade e produtividade são pontos fundamentais que parecem atendidos tanto nas propriedades como nas fábricas.

Um dos principais nomes da ciência nacional quando o assunto é qualidade do arroz, o professor Moacir Cardoso Elias é um dos coordenadores do Laboratório de Grãos da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal de Pelotas (Labgrãos/Faem/UFPel). Ele destaca que, desde a consolidação da cadeia produtiva nos anos 1990, o arroz gaúcho evoluiu muito a ponto de ser uma referência e conquistar preferência de consumidores em todo o planeta. "A cadeia do arroz é uma das mais organizadas e muito atenta ao conhecimento produzido pelas instituições de pesquisa, isso garantiu um desenvolvimento muito rápido e qualificado, o que dá ao nosso produto atributos compatíveis com os encontrados nos melhores produtos do mercado internacional", atesta.

Conforme Elias, o salto de qualidade do produto nacional coincide com a criação do Mercosul que abriu as portas para o intercâmbio tecnológico e empresarial muito próximo, especialmente com Uruguai e Argentina, produtores reconhecidos pela qualidade de seus grãos. Aliado a isso, o pesquisador destaca a capacidade da cadeia em encontrar mercados que reconhece a qualidade do arroz brasileiro, como os países da América Latina, o que ampliou significativamente a carteira de clientes.

"Na década de 1980, o País exportava arroz quebrado para alguns países africanos e, para compor os ingredientes da fabricação de chocolates na Bélgica, hoje exportamos arroz tipo 1, o que temos de melhor", lembra. Situação semelhante é verificada com relação ao mercado nacional, no qual a produção das fábricas gaúchas domina a preferência dos consumidores. "Nos anos 1970, quando entramos no mercado da região Sudeste, os rótulos traziam o aviso 'esse arroz não empapa', o que se consolidou como marca do arroz produzido no Estado", completa Elias.

Maior produtividade e qualidade do grão são características da produção gaúcha de arroz

 

Produtor gaúcho tem adotado métodos qualificados de manejo com a integração lavoura-pecuária


PAULO LANZETTA/EMBRAPA/DIVULGAÇÃO/JC

Uma das armas da cadeia orizícola para tentar abrir novos mercados externos, apesar da concorrência predatória dos norte-americanos, e ampliar o consumo dentro de casa, é a reconhecida qualidade do grão nacional.

Essa excelência está materializada em características como cozinhar soltinho, não ficar com o centro duro, ter sabor agradável, coloração clara e poder ser reaquecido sem perder as demais propriedades começa nas lavouras do Sul do Brasil, que na safra 2019-2020 cobriram 934 mil hectares em 128 municípios gaúchos. Somados, eles respondem por 70% da produção brasileira de arroz.

Conforme os dados do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), esta foi a menor área plantada nas últimas 12 safras, porém o alto nível de tecnificação e qualificação dos produtores gaúchos manteve a produtividade em alta. Na zona Sul, onde estão seis dos dez municípios com maior produtividade do Estado, a produção por hectare chegou a 10.006 kg em Rio Grande, 9.700 kg no Chuí e 9.688 kg em Capão do Leão.

Nas duas safras anteriores, a média por hectare no Rio Grande do Sul havia sido de 7.508 kg/ha (2018-2019) e 7.949 kg/ha (2017-2018), enquanto os melhores resultados da Zona Sul ficaram na casa dos 8.100 kg/ha.

O agrônomo André Matos, que há seis anos coordena a regional Zona Sul do Irga, responsável por atender 11 municípios que concentram a segunda maior área de lavouras de arroz do Estado, explica que o produtor gaúcho está cada vez mais técnico e tem adotado métodos mais qualificados de manejo das lavouras como a rotação de cultura com a soja ou a integração lavoura-pecuária.

Na década passada a rotação com a soja ocupava 11 mil hectares dos campos gaúchos semeados com arroz, este ano foram 340 mil hectares, conforme os dados do Irga. "Até a década passada, o plantio de arroz em áreas de pastagens era comum nas pesquisas, mas em áreas comerciais quase não se via; hoje, somente na Zona Sul, já ocupam 20% da área plantada", confirma Matos.

Tanto a pesquisa quanto a prática mostram que a sucessão de culturas combate ervas daninhas como o arroz vermelho, reduz a degradação e melhora a fertilidade do solo, o que acaba aumentando a produtividade e a qualidade do grão. Além disso, a opção pela soja possibilita ao produtor diversificar sua renda, que conforme lideranças do setor está em queda apesar da boa colheita e do mercado aquecido. Isso, no entanto, traz um risco embutido.

Apesar de recomendar a integração de culturas como sistema de produção adequado, o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, admite que a baixa rentabilidade do arroz frente a soja pode seduzir agricultores.

"Estamos há três ou quatro anos com preços abaixo do custo de produção, o que torna o arroz desinteressante para muitos e aumenta a migração para a soja. Hoje, estima-se que 30% da área de arroz está indo para a soja", relata.

Os custos citados por Velho são compostos, conforme metodologia do Irga, por cinco itens: despesas de custeio da lavoura (fertilizantes, sementes, etc.), outras despesas (fretes, secagens, etc.) e despesas financeiras, depreciação e renda dos fatores (pagamento da terra arrendada, etc.). Nesta safra, o custo total ficou em R$ 64,70 por cada saco de 50kg, ou seja, no momento de maior valorização do produto, sobraram R$ 2,30 por saco para o produtor.

Levantamento feito pelo Irga revela um aumento de 13,34% dos custos por hectare em relação à safra passada. Os itens que mais subiram estão relacionados ao custeio de lavoura, e foram aguador (55%), aviação (53%) e água (51,7%).

O dólar alto que favoreceu a cadeia também causou estrago no bolso dos agricultores ao puxar para cima os gastos com sementes e agroquímicos - com a desvalorização do real, a conta ficou salgada. O custo das sementes, por exemplo, subiu de R$ 179,50 por hectare no período 2018-2019 para R$ 231,41 por hectare na safra recém-encerrada, o que representa 28,9% de aumento.

Já os investimentos em agroquímicos sofreram um incremento de 20,7%, com o custo por hectare subindo de R$ 1.143,18 para R$ 1.380,61. "Este cenário obriga a ter gestão e profissionalismo, o produtor precisa lembrar que todos os negócios passaram por mudanças nas últimas décadas e se reinventar", pondera Velho.

Indústria também é beneficiada por maior demanda do grão

O bom desempenho em 2020 tem animado também a indústria instalada no Rio Grande do Sul, onde 184 empresas respondem pelo beneficiamento de 63% do arroz nacional. Juntas, elas processaram ano passado em torno de 5,7 milhões de toneladas conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Beneficiada pelos estoques baixos e o aumento da procura interna e externa, a indústria viu o preço do produto subir 36,5% entre fevereiro e julho, batendo nos R$ 157,00 a saca de 60 quilos. "O mercado não tem um ano igual ao outro, e este está sendo especial", declara Tiago Barata, diretor executivo do Sindicato da Indústria do Arroz do Rio Grande do Sul (Sindarroz).

O momento atual, segundo Barata, vem compensar uma década de desvalorização do arroz comprovada pelo fechamento de 77 indústrias do setor no estado. De acordo com o executivo, a maior parte delas encerrou as atividades por dificuldade de competir para abastecer o mercado interno. "A produção de arroz no Rio Grande do Sul é uma das mais caras do mundo, enquanto no Brasil se pratica um dos preços mais baixos do globo", lamenta ele.

O novo patamar de preço, de acordo com a visão dos dirigentes da cadeia produtiva, todavia não chega a pesar no bolso dos consumidores, que estão pagando, em média, 26% a mais no quilo de arroz com relação ao final de 2019. Mesmo assim, não deixaram de procurar o produto, que, aliás, parece estar sendo redescoberto pelos cozinheiros domésticos nestes tempos de pandemia. Uma análise feita pelo Sindarroz apurou um dado curioso, mas que ilustra bem essa nova realidade: o aumento de 180% das buscas pelo termo 'como se faz arroz' no Google.

O empresário Jones Wendt, atualmente à frente da Nelson Wendt Alimentos, nona colocada no ranking das maiores beneficiadoras de arroz do Rio Grande do Sul e que mantém plantas industriais em Pelotas e Recife (PE), aponta para um aumento de 20% nas vendas internas entre março e maio, com expectativa de repetição do resultado em julho.

O preço por quilo, considerado o mais baixo entre todos os alimentos prontos no País e o acréscimo do número de pessoas que permanecem mais tempo dentro de casa devido a pandemia impulsionaram, conforme Wendt, o interesse dos consumidores pelo arroz, o que espalha reflexos positivos por toda a cadeia.

"Este aumento de demanda do arroz beneficiado ocorreu em todas empresas, e isto provocou maior procura do grão com casca dos produtores. Aliado ao aumento da demanda externa, isso valorizou o arroz com casca e os produtores recebem hoje 30% mais do que recebiam em fevereiro e, mesmo com este aumento de preços, o arroz beneficiado brasileiro ainda é um dos mais baratos do mundo", comenta.

A popularidade, a facilidade de preparo e a versatilidade são outras características apontadas pelo empresário como responsáveis por manter o produto sempre na lista dos mantimentos considerados essenciais pelos brasileiros. Um estudo encomendado pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) à Euromonitor, no ano passado, apontou para um consumo per capita de 34 quilos por ano no País - a Região Sudeste fica na liderança como aquela onde o grão é mais consumido, com 40 quilos per capita por ano.

Curiosamente, no Rio Grande do Sul, maior produtor do País, a média cai para 15,5 quilos por pessoa. Uma das explicações para isso seriam as regiões de colonização italiana e alemã, onde vivem aproximadamente 5,5 milhões de pessoas, e nas quais massa é a fonte de carboidratos culturalmente mais procurada.

A aprovação da maior parte dos consumidores serve de explicação para a oferta constante e os preços relativamente baixos de Norte a Sul do País, apesar da inexistência de agências reguladoras oficiais intervindo no mercado.

"Se você for a qualquer mercearia no interior do Nordeste ou nos mais distantes igarapés do Norte, sempre encontrará quatro ou cinco marcas de arroz, dos mais diversos tipos, qualidades e preços. E encontrará quatro ou cinco porque o dono da mercearia assim quis, pois se quisesse mais marcas, certamente teria. Somos mais do que 300 indústrias e um número dez vezes maior de produtores de arroz no País, de diversos tamanhos. É claro que há as marcas maiores. A maior empresa diz ter 12%. Na cadeia produtiva do arroz existe mercado, há muita concorrência", explana Wendt.

Trabalhadores aguardam por ganhos salariais

Se, por um lado, produtores, corretores, industriais e comerciantes celebram a valorização e o aumento das vendas do arroz, por outro, milhares de trabalhadores ainda esperam para ver qual será o ganho de quem está no chão das fábricas.

Com o dissídio assinado em julho, os trabalhadores das indústrias de arroz da região de Pelotas - onde estão seis das 10 maiores empresas do Estado - ganharam apenas a reposição da inflação. O salário dos operários de serviços gerais foi de R$ 1.379,60 para R$ 1.400,00 e o dos profissionais variou de R$ 1.545,28 para R$ 1.600,00.

"Apesar dos negócios estarem bem e a indústria do arroz ter trabalhado todos os dias desde o início da pandemia, não houve ganho algum para os trabalhadores, se alguém ganhou foram os patrões", lamenta Lair de Mattos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Pelotas e Região.

Para o dirigente sindical o alto índice de desemprego, que em junho chegou a 13,3% no Brasil, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), impacta negativamente sobre os salários dos empregados das arrozeiras e põe por terra qualquer expectativa de melhoria, apesar do momento positivo da cadeia produtiva.

"Há um exército de desempregados dispostos a trabalhar por estes salários. Entre 2013 e 2014, quando o desemprego estava em 6%, conseguimos um ganho real de 5% sobre os salários", relembra.

A quantidade de vagas ofertadas pelo setor também praticamente não se alterou com relação ao ano passado, conforme os dados do sindicato. O número de trabalhadores fixos - aqueles que permanecem ocupados mesmo depois de encerrada a safra - segue entre 1,3 mil e 1,4 mil nas empresas locais.

Para a próxima safra, Estado deve continuar com a mesma área plantada

 

Alexandre Velho, da Federarroz, recomenda não ampliar a área para ajustar oferta e demanda


FAGNER ALMEIDA/FEDERARROZ/DIVULGAÇÃO/JC

A virada do semestre representa para a cadeia produtiva do arroz o início de um novo ciclo. Historicamente as exportações se reduzem, os negócios passam a se concentrar no mercado nacional e, em setembro, começa a semeadura dos campos para a nova safra. É tempo de analisar desafios, projetar expectativas, estudar cenários e prospectar mercados.

Para a safra 2020-2021 já há pelo menos um mantra sendo entoado entre as lideranças: não aumentar a área plantada. A ampliação das lavouras para além do um milhão de hectares é apontada como um risco desnecessário, capaz de se refletir numa desvalorização do produto. "É um bom momento, mas é preciso segurar a euforia e não aumentar a área semeada para ajustar a oferta", declara o presidente da Federarroz, Alexandre Velho.

Produtores tradicionais como Rechsteiner se somam na defesa da necessidade de conter as plantadeiras para garantir a continuidade de uma conjuntura positiva, pois acreditam que a rentabilidade está diretamente ligada ao mercado conquistado, e o aumento da superfície de lavouras só deve acontecer quando a procura pelo arroz gaúcho tiver novo impulso.

Corretores e consultores acostumados às idas e vindas da cadeia, todavia, revelam acreditar que dificilmente se plantará menos de um milhão de hectares no próximo período. O presidente da Abiap e consultor de negócios internacionais vai na mesma linha. "O produtor teve uma produtividade que compensou a diminuição da área e agora está mais capitalizado, a tendência é de haver um aumento para além de 1,1 milhão de hectares", prevê Amaral Júnior.

A pergunta sobre qual rumo os agricultores irão tomar deverá ser respondida até o fim de agosto, quando o Irga deve lançar o relatório do índice de semeadura. Para o coordenador da regional zona Sul do instituto, André Matos, se houver aumento, não será significativo. "Não vejo uma mudança de mercado capaz de influenciar um incremento da área plantada e acredito que o pessoal aprendeu com os erros do passado", declara o agrônomo.

Crédito restrito é um dos principais problemas

Um dos principais problemas que aflige o setor e movimenta lideranças no Estado é a escassez de empréstimos públicos à disposição dos arrozeiros. No início deste ano, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou estudo sobre a descapitalização dos rizicultores. A pesquisa revela um recuo violento do crédito rural para o setor que, em 2010, era acessado por 50% dos produtores e, em 2019, só esteve ao alcance de 20%.

Neste mesmo período, o percentual de agricultores que mantinha as lavouras com recursos próprios despencou de 35% para 10%. Sem financiamento público ou dinheiro em casa para garantir o custeio da produção, grande parte dos agricultores busca recursos junto à indústria, que conforme o relatório da Farsul, hoje atende a 50% dos produtores gaúchos de arroz.

A prática gera uma dependência indesejada pelo setor primário. "É muito ruim financiar a produção com o cliente; por outro lado, boa parte só permanece na atividade porque a indústria vem segurando a lavoura", argumenta o produtor Fernando Rechsteiner.

Já o presidente da Federarroz. Alexandre Velho, acrescenta que a prática reduz o poder de barganha dos plantadores, que pagam os financiamentos pela cotação do início da safra, quando o produto ainda não está valorizado. "O arroz não tem preço pré-fixado, ficamos presos ao valor praticado pela indústria", diz.

Desde julho de 2019, representantes do setor discutem, sem sucesso, com o governo federal, a criação de um pacote de ajuda. No início de agosto, durante visita a Bagé, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebeu de uma comitiva de entidades representativas dos arrozeiros um documento reiterando a necessidade de se buscar soluções para a falta de crédito público aos produtores, causada principalmente pelo endividamento.

Estima-se que a dívida do setor chegue a R$ 3,5 bilhões. Entre as medidas pleiteadas, estão a renegociação dos valores vencidos há mais de um ano em novos contratos de 15 anos, com dois de carência e juros de 5% ao ano.

Nos próximos meses, cenário internacional pode representar mais oportunidades

Analistas de mercado dizem acreditar que, no segundo semestre, o arroz em casca, que até então respondeu por 47% das exportações feitas neste ano, deve perder espaço para o grão beneficiado. Um dos motivos é a escassez de produto disponível para exportação, já que a indústria absorve a maior parte da safra.

Há, ainda, o fechamento de mercados da América Central, enquanto as fábricas gaúchas devem permanecer enviando arroz para países vizinhos como Peru e Venezuela, além de compradores tradicionais da África, o que pode manter a estabilidade dos negócios.

Existe, no entanto, alguma desconfiança com relação à capacidade de absorção do mercado internacional. "Estamos vendendo por que o Estados Unidos ainda não colheu e porque o produto deles é muito ruim, mas nossos clientes como México e países centro-americanos estão cheios de arroz", analisa o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Arroz Parboilizado (Abiap), Amaral Júnior.

Já com relação ao consumo interno, as análises e movimentos recentes do mercado mostram que a situação permanecerá favorável para a indústria e produtores mais capitalizados e que ainda possuem grãos armazenados. Os estoques, que começaram 2020 baixos, devem chegar ao final do ano igualmente reduzidos.

Um dos reflexos disso foi observado na primeira semana de agosto, quando a saca de 50 kg arroz com 63% de grãos inteiros atingiu preço recorde de R$ 80,00 no Litoral Norte. No final de julho, a saca estava cotada em R$ 73,00. Esse aumento foi puxado, basicamente, pela disputa de empresas do Sudeste do País e do Sul gaúcho sobre a produção que ainda resta livre no mercado.

O medo de uma eventual falta de matéria-prima nacional para as indústrias gaúchas fez as companhias voltarem seus olhos para cargas de arroz estocadas no porto de Rio Grande e que ainda não tinham comprador no exterior. A tática deu certo e os estoques de algumas empresas estão seguros.

A preocupação se justifica pela existência de uma cláusula de barreira que impede o Rio Grande do Sul a importar mais de 10% do que produz, como forma de salvaguardar a produção primária local. Dessa forma, o que em outras situações garantiu proteção ao agricultor, agora pode fazer a indústria perder espaço para empresas de outras regiões do País que poderão importar além dessa quantidade para atende o consumo nacional.

Nesse quadro, quem deve sentir no bolso é o consumidor comum. Uma pesquisa de mercado realizada no início de agosto pelo site Planeta Arroz, especializado em acompanhar o mercado do grão, aponta para um aumento médio dos preços do quilo do arroz entre 2% e 3,5% registrado nas últimas semanas de julho. Em Porto Alegre, conforme o aplicativo Menor Preço, do governo do Estado, o preço do saco de cinco quilos de arroz tipo 1 no varejo varia, atualmente, entre R$ 14,26 e R$ 24,69, enquanto em Pelotas fica entre R$ 14,69 e R$ 17,99.

A pergunta, ainda sem resposta, feita pelos analistas de mercado, é se, uma vez pressionada pelos produtores ávidos por empréstimos para iniciar a semeadura, as indústrias irão manter os preços praticados atualmente ou repassarão o custo dessa compra antecipada aos atacadistas e varejistas? A conferir.

* Álvaro Guimarães é natural de Rio Grande e jornalista formado pela Universidade Católica de Pelotas. Atualmente, trabalha como assessor de comunicação e repórter freelancer.

TOMADO DE JOURNAL DO COMERCIO DE RGS BR

PLANTA HIERBAS QUEAYUDAN A LAS ABEJAS , PLANTA FUTURO

 

CORONA VIRUS EN CORRIENTES AR dia 24 de agosto 2020

 

INCENDIOS FUERA DE TODO CONTROL

El fin de semana se multiplicaron los focos en las islas

Incendios fuera de todo control

Voluntarios entraron a combatir llamas junto con isleños en áreas donde no había brigadistas, que a su trabajaron al límite.

Por Juan Giosa

Casa arrasada en zona de Paso Destilería.  

Imagen: Multisectorial por los Humedales

El fuego en las islas entrerrianas tuvo un nuevo capítulo angustiante en el día de ayer con grandes incendios que pusieron en riesgo viviendas ubicadas en la zona de Boca de la Milonga, frente a Granadero Baigorria. Los propios isleños, junto con voluntarios ambientalistas, se encargaron de combatir las llamas con lo que tenían a mano para evitar que arrase con todo, con el riesgo que eso implicó para sus propias vidas. La gran cantidad de humo generado por el fuego provocó la necesidad de cortar el tránsito en la conexión Rosario-Victoria, a donde se había convocado un numeroso grupo de personas que quería meterse en las islas para "colaborar en el combate al fuego" y asistir con víveres. 

Foto Voluntarios ayer en lucha contra el fuego.

Los fuegos se avivaron en la tarde-noche del sábado, avanzando de norte a sur en la Isla La Deseada, conocida como Boca de la milonga, ubicada a la altura entre Capitán Bermúdez y Granadero Baigorria. A medida que aumentaban las llamas, la situación se tornó gravemente riesgosa para las familias que viven en el lugar por lo que, ante la falta de respuestas de las autoridades según la versión de los ambientalistas, debieron encargarse ellos mismos de la situación junto a la ayuda de vecinos y voluntarios. “Hay alrededor de 20 vecinos que están desmalezando, mojando con bombas de agua y mangueras mientras en mi casa estamos mojando todo alrededor porque sabemos que el fuego va a llegar”, relataba por esas horas una las vecinas a la Multisectorial por los Humedales, que ayer trajinó en ayuda a lugareños y llamó a movilizarse, incluso abriendo una colecta de fondos.

Lejos de resolverse, la postal se repitió, e incluso se agravó con grandes llamas que continuaron avanzando hacia escasos metros de donde están instaladas pequeñas casas particulares. Una vez más los isleños tuvieron que recurrir a lo que tenían para evitar que las llamas lleguen a sus viviendas, y esta vez contaron con la colaboración de casi 100 voluntarios de organizaciones ambientalistas que lograron cruzar para dar una mano.

Sebastián Granata

Julia Gracia fue una de las que estuvo ayudando ayer en la zona de Paso Destilería, unos 2 mil metros al norte de la traza de la ruta Rosario-Victoria. “Somos amigos de gente que tiene casa acá, kayakistas, ambientalistas y estamos dando una mano. Logramos salvar tres o cuatro casas que por ahora están alejadas del fuego, pero si a la noche vuelve el viento va a complicarse”, alertaba ayer a este diario.

Gracia dijo que en ese sector no vio brigadistas trabajando ni equipos de tierra ni aire. En ese sentido, contó que ellos mismos combatían el fuego haciendo pasamanos de baldes, tirando ramas verdes e inundando los alrededores: “Usamos una bomba de agua hasta que dejó de funcionar por falta de combustible”. Por esta situación, se mostró contrariada con Prefectura: “Estuvieron, y se fueron, dijeron que no podían hacer nada. O sea que ni siquiera estuvieron por si hacía falta evacuar a la gente”.

En esa sintonía, la Multisectorial por los Humedales realizó ayer por la tarde una convocatoria espontánea hacia el Puente Rosario-Victoria en reclamo por la situación de emergencia que se estaba viviendo, y denunciaron “abandono de persona por parte de las autoridades municipales, provinciales y nacionales que desde hace más de 24 horas hacen oídos sordos a los pedidos de ayuda por parte de los isleños”. En ese marco, un numeroso grupo de personas se movilizó hasta la cabecera del puente e intentó cruzar para asistir al trabajo contra los incendios, pero se les impidió el paso debido a que la Agencia Provincial de Seguridad Vial tuvo que cortar el tránsito en la traza vial por la gran cantidad de humo que impedía la buena visibilidad para manejar. Y además porque meter más gente, que no está preparada para combatir incendios, puede ser más problema que solución.

Sebastián Granata

Algunos voluntarios lograron cruzar temprano en botes y kayaks hacia las islas para dar una mano y pudieron ver cómo el fuego arrasaba con todo a su paso. Otros dejaron sus autos en la banquina del Rosario-Victoria. “Se vivieron momentos de mucha tensión y muy angustiantes. Miles de hectáreas se han convertido en una alfombra de cenizas”, relató Jorge Bartoli, de Paraná no se toca, quien estuvo ayudando en uno de los sectores afectados. Si bien él pudo ver el trabajo de una dotación de bomberos y brigadistas que estuvieron “arriesgando sus vidas” para apagar alguno de los focos con las herramientas que tienen, alertó que “los medios son exiguos para semejante desastre” y que “la situación está desbordada”. En ese sentido, consideró que “la falta de recursos deja a las claras que puede haber un enorme esfuerzo pero que no alcanza” y apuntó que “a esta altura, lo único que queda por hacer es salvar lo que se pueda”.

LEER MÁSMirko Saric | Página12

Desde la Secretaría de Protección Civil de la Provincia de Santa Fe detallaron que ayer en la zona de Boca de la Milonga estuvieron trabajando solo 10 brigadistas de la Policía de Islas de Entre Ríos junto a vecinos de lugar, y que también se contó con aviones hidrantes que realizaron lanzamientos de agua en algunos de los focos ígneos.

Por su parte, Gabriel Gasparutti, subsecretario de Gestión del Riesgo y Protección Civil de la Nación, adelantó a Rosario/12 que la provincia de Santa Fe solicitó medios aéreos y apoyo de más brigadistas. "Esto se está coordinando con el Sistema Nacional de Manejo del Fuego y el Sistema de Emergencias para organizar a partir de mañana -por hoy- un operativo en conjunto con Manejo del Fuego de Entre Ríos, Protección Civil de Santa Fe y los organismos nacionales". 

Tomado de pagina 12 de ar

 

 

GIGANTESCA ISLA DE PIEDRA PÓMEZ QUE FLOTA EN EL PACÍFICO

  Descubren el origen de una gigantesca isla de piedra pómez que flota en el Pacífico

La masa flotante que llegó a tener la dimensión de dos islas de Manhattan fue producida por la erupción de un volcán conocido simplemente como F Crédito: Captura

En el océano Pacífico, cerca de la costa este de Australia, la naturaleza ofrece un fenómeno impactante. Se trata de una enorme isla, que flota a la deriva, que está formada por piedra pómez y que llegó a tener un tamaño de unos 150 kilómetros cuadrados, la superficie aproximada a dos islas de Manhattan.

Si bien esta gran masa a la deriva fue descubierta en agosto del año pasado, ahora, los geólogos pudieron detectar su origen exacto, que tiene que ver con la erupción de un volcán submarino, próximo al reino polinésico de Tonga, en el Pacífico Sur.

Michael Hoult y Larissa Brill fueron los dos marineros australianos que, navegando hacia Fiyi descubrieron esta fenomenal formación rocosa en agosto del año pasado. Desde entonces, la gran masa se fue moviendo desde su origen en las proximidades de Tonga hasta donde se encuentra ahora, en la costa este de Australia, desde la ciudad de Tonswille, en el estado de Queensland hasta el norte de Nueva Gales del Sur.

El mar de pómez que encontraron Shannon Lenz and Tom Whitehead en agosto - Fuente: BBC

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En ese entonces, los científicos explicaron que la piedra pómez es una roca liviana llena de burbujas de aire que puede flotar en el agua. Se produce cuando el magma volcánico se enfría rápidamente. La producción de grandes "balsas" de roca volcánica sucede con mayor probabilidad cuando el volcán se encuentra en aguas poco profundas, señalaron.

Los científicos lograron establecer que la isla de piedra pómez se formó gracias a la erupción dle volcán F, cerca de la isla Vavau, de Tonga Crédito: Geomar

En aquel momento, había más de un trillón de pedazos de piedra pómez flotando juntos, pero con el tiempo, se fueron separando y dispersando. Por ello, el tamaño de esta isla, un año después de su creación, no es el mismo del que tenía en sus orígenes.

El volcán que originó la isla de piedra pómez

Ahora, un equipo de investigadores internacionales, a través del uso de robots submarinos, pudieron conocer exactamente el origen de la erupción que produjo la isla. Se trata de un volcán que se encuentra en las profundidades del mar a 50 kilómetros al noroeste de la isla de Vava'u, en Tonga. Si bien no tiene un nombre, en la literatura científica internacional aparece bajo el número 0403-091, o simplemente Volcán F.

El geólogo Scott Bryan analiza la composición y el origen de la isla de piedra pómez con muestras de diversos tamaños Crédito: QUT

La erupción habría sido entre los días 6 y 8 de agosto del año 2019.

El producto expulsado por el volcán submarino hacia la superficie oceánica genera una especie de balsa de piedra pómez, que es porosa y por ello atrae a organismos marinos, como algas, percebes, corales, entre otros, lo que tiene una gran importancia en beneficio del ecosistema marino.

Esta masa flotante es que es capaz de trasladar organismo marinos de un lado al otro del océano, lo que es beneficioso para el ecosistema y la biodiversidad Crédito: QUT

Es una fascinante dinámica restauradora natural que va navegando por el océano. Su composición porosa puede ayudar, se cree, a sembrar y reponer sistemas de coral que están en peligro de extinción, como la Gran Barrera de Coral australiana. Los organismos transportados en su estructura podría revitalizar el castigado sistema coralino.

"Cada pieza de piedra pómez tiene su propia pequeña comunidad que ha sido transportada a través de los océanos del mundo, y hemos tenido billones de piezas de esta piedra pómez flotando después de la erupción", dice el geólogo Scott Bryan de la Universidad Tecnológica de Queensland, en Australia, en la página oficial de dicho centro de estudios.

Larissa Brill descubrió la isla junto a su pareja Michael Hoult cuando navegaban hacia Fiyi, en agosto del año pasado Fuente: Archivo

Bryan estudió este tipo de balsas volcánicas por más de dos décadas, y la manera en que estas albergan y transportan biodiversidad marina a través de los océanos del mundo. Ya hizo sus estudios con una erupción similar ocurrida en la misma región en 2001. En esta ocasión, el geólogo recibió para su análisis rocas de piedra pómez de diversos tamaños para su análisis: desde la dimensión de una bolita o canica a la de una pelota de básquet.

"No entendemos por qué algunas piedras pómez se hunden durante la erupción en el lugar y otras pueden flotar durante muchos meses y años en los océanos del mundo", señaló Bryan, pero confía en que un estudio más profundo entregará más datos para entender este tipo de fenómenos.

"Esto nos ayudará a comprender los mecanismos y la dinámica de estas erupciones explosivas y comprender mejor por qué estas erupciones producen balsas de piedra pómez", concluyó.

Tomado de la nación de ar

DETECTARON UN NUEVO CASO EN MOCORETÁ Y POR EL PRIMERO EN VIRASORO TOMARON 23 MUESTRAS

 

En la Comuna del sur provincial, como parte de un testeo centinela, realizaron 24 hisopados y uno de ellos dio positivo. Mientras que el virasoreño que reside en Misiones pero fue atendido en su ciudad natal, ayer fue trasladado al hospital de campaña de la Capital correntina. 

El Ministerio de Salud Pública de la Provincia informó ayer que se registraron nueve casos nuevos de covid-19, de los cuales un par correspondían a comunas del interior. En Mocoretá se trata de un nuevo paciente que debido a su actividad (transportista) viajó a Buenos Aires. Mientras que en Virasoro se registró el primer paciente que por prevención fue trasladado al hospital de campaña que está instalado en la Capital correntina. En paralelo, también tomaron muestras de 23 personas.

“El último sábado se realizaron nuevos hisopados centinelas que se efectúa tanto a transportistas como al personal que es de riesgo debido a que trabajan en los controles”, expresó el director del hospital de Mocoretá, Diego Bonomo al ser consultado por El Litoral. Se refirió en este punto a las 24 muestras que fueron analizadas y de las cuales sólo una dio positivo. 

En esta oportunidad, la persona afectada fue nuevamente un transportista que, debido a que desarrolla un trabajo esencial, viajó a Buenos Aires. No obstante, desde la Comuna recordaron que aquellos pobladores que conducen camiones, cada vez que retornan a la localidad, quedan en aislamiento.

Control

Mientras que sobre el primer caso detectado en Virasoro, el director del hospital, Horacio Ledesma, comentó que “se trata de una persona que es de Virasoro, hace un tiempo vive en San José (Misiones) pero trabaja en el área de Rentas en Bichadero, donde precisamente también está uno de los controles de ingreso a nuestra Provincia”.

Asimismo, especificó que el hombre concurrió el miércoles pasado al hospital virasoreño. Y el viernes se le tomó la muestra que finalmente dio positivo para covid-19”.  Y si bien el paciente “está bien y aislado en su domicilio, por prevención, en breve será trasladado al hospital de campaña que la Provincia instaló en Corrientes”, añadió Ledesma en diálogo con El Litoral.

Y a fin de determinar si otra persona está afectada, ayer se realizaron 23 hisopados “entre contactos primarios y secundarios del paciente”, comentó el director del Hospital Sussini. En este punto, acotó que la toma de muestras incluyó tanto a familiares, como a personas que trabajan en Bichadero y personal que atendió al caso activo en el centro de salud de Virasoro. 

También se tomaron medidas en San Carlos. (Ver recuadro) 

Tomado de el litoral de ctes ar

HALLARON POR QUÉ LA COVID-19 EVADE LAS RESPUESTAS INMUNES DEL SER HUMANO

 Hallaron por qué la covid-19 evade las respuestas inmunes del ser humano

Científicos de la UNLP hicieron un descubrimiento clave del coronavirus

La investigación de Luis Diambra y Andrés Alonso es uno de los primeros trabajos argentinos de la pandemia en ser reportado internacionalmente.

La investigación de Luis Diambra y Andrés Alonso se publicó este jueves.

Un equipo de investigadores de la Universidad Nacional de La Plata pudo determinar los mecanismos por los que el coronavirus es capaz de evadir la respuesta inmunológica innata en los seres humanos y cómo es que se producen algunos de los efectos colaterales de la enfermedad, por caso, el síndrome respiratorio agudo severo (SARS).

Según informaron desde la UNLP y el Conicet, este hallazgo puede ayudar a disminuir  las secuelas de la infección y también podría usarse para crear los anticuperpos para el desarrollo de la vacuna.

Los descubrimientos se hicieron en el Laboratorio de Biología de Sistemas del Centro Regional de Estudios Genómicos (CREG) y determina que la covid-19 tiene un mecanismo viral que le permite regular la expresión de genes de las células invadidas y así controlar su respuesta inmune.

El aporte fundamental que acaba de hacer el estudio consiste en la descripción de este nuevo mecanismo de interacción entre SARS-Cov-2 -el virus responsable de la infección- y las células que ataca. El hallazgo de los investigadores Luis Diambra y Andrés Alonso se publicó hoy en la revista Frontiers in Cell and Developmental Biology , y es uno de los primeros trabajos argentinos sobre el tema en ser reportado internacionalmente.

Según explicaron los científicos, para multiplicarse los virus utilizan la maquinaria de la célula que invaden. Diambra contó que "hay un mecanismo nuevo que no estaba documentado que es que el virus para replicarse consume algunos elementos que tiene la célula que es invadida y que es usada por la propia célula para fabricar sus propias proteínas".

El científico graficó que "como el virus no tiene maquinaria para replicarse y fabricar sus proteínas usa la de las células" y que "ese uso agota algunos ingredientes que tiene la célula para fabricar sus propias proteínas". Además, precisó que en base a datos que publicaron otros laboratorios "nos fijamos que proteínas de las células estarían comprometidas en función de que gastaron sus insumos".

Además, Diambra explicó que entre esas proteínas "están algunas vinculadas a la inmunidad, y por eso se podría explicar por qué el virus evade al sistema inmune". Agregó que, además, lograron descubrir que las otras proteínas comprometidas "son las que tienen que ver con la regulación de la inflamación y por eso se ve que en los pacientes graves hay dos síntomas característicos: las coagulopatías y la hiperinflamación".

En referencia a la proteína que funciona como anticoagulante, puntualizó que "esas dos características podrían explicarse a través de una disminución de una molécula que se llama Alfa 2 macroglobulina". Contó también que el estudio que realizaron en el laboratorio "tiene importancia desde el punto de vista de ver cómo se genera la patología que provoca el virus, y por qué faltan proteínas".

Añadió que esa información "podría ser utilizada también para recodificar el genoma del coronavirus y fabricar vacunas con virus atenuados que son una de las estrategias que se analizan"; y destacó que, de este modo, el virus tendrá "capacidad de infectar" pero sin "efectividad" y no producirá "los efectos colaterales que tiene, porque lo que mata a los pacientes graves es la hiperinflamación".

Por último, señaló que en el laboratorio se trabajaba desde el año pasado con otros virus "porque todos usan la maquinaria molecular", y ante la aparición de la Covid-19 el estudio se centró en lo que provocó la pandemia.

Tomado de Pagina 12 del 21 de Agosto de 2020