Substância hoje desperta interesse mundial, visto seus potenciais terapêuticos cada vez mais descobertos e descritos no tratamento de diversas patologias
Carolina Vieira // (crédito: Julia Teichmann/Pixabay)
O uso do canabidiol (CBD) vem sendo cada vez mais discutido dentro do arsenal terapêutico para doenças graves como o câncer, especialmente em situações de difícil controle de sintomas. Para conversar a respeito, convido o doutor Pedro Alvarenga, mestre em Medicina.
1 - O que quer dizer CBD e de onde vem esta substância?
O CBD (canabidiol) é uma das centenas de substâncias
canabinóides presentes na cannabis, gênero de plantas já utilizadas como forma
de extração de fibras naturais, com uso recreativo pelo seu potencial
psicoativo.O canabidiol compreende uma parcela dessas substâncias que não
possuem efeitos de dependência, bem como não apresente potenciais psicoativos,
e hoje é de interesse mundial, visto seus potenciais terapêuticos cada vez mais
descobertos e descritos no tratamento de diversas patologias.
2 - Em quais situações médicas haveria maior embasamento
científico para seu uso?
Atualmente, diversas pesquisas clínicas e básicas (pesquisas
de laboratório) estão sendo feitas com a terapia canabinoide. Estudos bem
desenhados e com boas referências mostram evidência na abordagem de crises
convulsivas (epilepsia), no tratamento de dor, espasticidade muscular (em
doenças crônico-degenerativas como, por exemplo, a esclerose múltipla).
Também já existem liberadas drogas sintéticas na Europa e
Estados Unidos que mimetizam os canabinoides, constituindo novas formas de
tratamento. Além disso, o interesse científico pela medicina canabinoide cresce
a cada ano, já com pesquisas no ramo da dermatologia, no tratamento de doenças
psiquiátricas (transtornos de ansiedade, doenças do sono), autismo, doenças
inflamatórias e reumatológicas. Todas essas no rol de possíveis patologias a
serem tratadas com CBD.
3 - Está legalizado o uso do CBD no Brasil? Qual tipo de
profissional estaria habilitado para indicá-la?
Sim. Hoje a terapia canabinoide é liberada e possui diversas
regulamentações frente aos órgãos gestores, como a Anvisa. O paciente que
deseja o início da terapia canabinoide deve procurar um médico prescritor, e
esse será responsável tanto pela prescrição quanto pelo acompanhamento do
tratamento médico. Estão habilitados à prescrição todos os médicos inscritos
nos conselhos regionais de medicina.
4 - Para o paciente com câncer, quais os possíveis contextos
para avaliação desta substância?
Nos pacientes oncológicos, o uso da terapia canabinoide está
relacionada principalmente ao controle de sintomas causados tanto pela doença,
quanto pelos tratamentos quimioterápicos. Estudos já sugerem potenciais
benefícios no tratamento da dor do paciente oncológico, bem como náuseas e
vômitos relacionados à quimioterapia. Sendo assim, o CDB e outros canabinoides
são cada vez mais estudados, visando novas estratégias de tratamento com
melhora tanto da patologia oncológica bem como na qualidade de vida desses
pacientes. Tomado de correio brasiliense
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