A primeira noite de desfiles do Grupo Especial teve como
destaques belos carros em que o branco dava o tom. No Salgueiro, por exemplo, a
terceira alegoria (Baile de máscaras) era toda alva, com iluminação lilás ao
fundo, e tinha como destaques estátuas vivas. Na Unidos da Tijuca, o terceiro
carro (O navio fantasma) usava a mesma cor para lembrar a ópera do compositor
Richard Wagner. Nele havia um barco que balançava como um pêndulo, como se
estivesse navegando. Mas, numa apresentação que não se destacou pelo brilho ou
por sambas que caíssem na boca do povo e que não teve gritos de "é
campeã", as agremiações lutam para não passar em branco na avaliação dos
jurados.
Neste sentido, o
Salgueiro saiu na frente, com um enredo sobre a fama que empolgou o público em
vários momentos, mas não chegou a ser arrebatador. A Tijuca, por sua vez,
contou com surpresas do carnavalesco Paulo Barros, mas pode ser prejudicada por
problemas em carros alegóricos. Já a Portela, não tão cotada, correu por fora e
levantou os foliões com o samba mais cantado da noite. Já a estreante Inocentes
de Belford Roxo e a União da Ilha, que esteve oito anos no antigo Grupo de
Acesso, e há quatro tenta se firmar no Especial, assim como a Mocidade
Independente (que há nove anos não volta ao Desfile das Campeãs), estão numa
batalha maior para se destacar.
Segunda escola a
desfilar, o Salgueiro até veio com fantasias luxuosas, mas - num enredo que bem
poderia ter saído da cabeça de Paulo Barros — o que se viu foi uma escola leve
e com muitos toques de irreverência, em fantasias e alas. Bom exemplo disto era
o elemento cenográfico chamado de máquina lipoaspiradora, onde Carlinhos
Coreógrafo, todo rebolativo, e Amenon (uma versão mais "fortinha"
dele) eram literalmente os destaques. As assinaturas dos carnavalescos Renato e
Márcia Lage ficaram mais evidentes em alas como Chão de Estrelas, em que
carrinhos como naves espaciais traziam 21 integrantes em cadeiras de rodas e se
transformaram em pontos altos. O abre-alas, chamado de Grande Angular, trazia
uma enorme máquina fotográfica que jogava flash no público e bonecos gigantes
que representavam seguranças mal-humorados. Já a comissão de frente era
composta por paparazzi que fingiam fotografar personagens que estavam em uma
imensa limusine.
Na sequência, a
Unidos da Tijuca enfrentou graves problemas em seu desfile com os carros
alegóricos. O abre-alas da escola do Borel bateu antes de começar o desfile, no
Setor 1, e teve arrancada parte do revestimento do lado esquerdo, além de ter
quebrado algumas luminárias. No carro da Floresta Encantada, mais problemas:
alguns componentes da alegoria passaram mal e foram socorridos por bombeiros.
Ainda na concentração, um integrante da Velha Guarda havia desmaiado e teve que
ser retirado de maca. A série de transtornos acabou por atrapalhar a
apresentação do enredo “Desceu num raio, é trovoada. O deus Thor pede passagem
para mostrar nessa viagem a Alemanha encantada“. Durante todo o desfile equipes
de técnicos da escola se apressavam de um lado a outro para socorrer os carros
com problemas. O carnavalesco Paulo Barros conferiu de perto os estragos, logo
no início, no abre-alas. O público do Setor 1 que acompanhou boa parte dos
apuros da Tijuca, aplaudia entusiasmadamente cada vez que os integrantes
conseguiam reverter a situação.
Mas houve pontos
altos. A esperada comissão de frente, coreografada por Priscilla Motta e
Rodrigo Neri, recebeu muitos aplausos das arquibancadas. Os componentes
vestidos de azul e branco, em um tripé, simulavam fazer um machado flutuar e,
num trampolim, jogavam-se para trás, mas paravam no ar. Eles representavam
Thor, o mais destemido dos deuses. Já o primeiro carro alegórico da Unidos da
Tijuca representou o Reino de Odin, onde os deuses do trovão cumpriam suas
missões e atravessavam a passagem entre o mundo dos deuses e o dos homens. O
carro tinha um buraco que soltava fumaça e emitia barulhos alusivos aos ventos
e rajadas de uma tempestade em ritmo de triller que correu o sério risco de
atrapalhar a bateria e prejudicar o desfile, o que não chegou a acontecer.
Neste buraco, em algumas partes do desfile, um homem era
"arremessado". E, em uma ala que arrancou aplausos, os integrantes
eram fatias que se juntavam para formar o bolo Floresta Negra, com direito a
cerejinha em cima, representada por outros foliões.
Na Portela, o
destaque mesmo foram seus integrantes, que cantaram o samba-enredo
“Madureira... Onde meu coração se deixou levar” com garra e empolgação. Ainda
assim, não foi o suficiente para arrebatar aplausos calorosos do público. No
abre-alas, a tradicional águia apareceu mais estilizada e com menos destaque
que em anos anteriores. Como era de se esperar, o grito do símbolo da escola
podia ser ouvido pela Sapucaí. O carro exalava perfume por onde passava,
recurso que foi repetido na alegoria do Mercadão de Madureira. O carro
"... É dia de Santo Sinhá" também tinha efeitos especiais. A saia de
uma baiana gigante que representava Dona Esther Rodrigues, uma liderança religiosa
da região, levantava-se, revelando um terreiro. Tocando tambores, os ritmistas
fizeram um ritual de religiões africanas, onde a rainha de bateria Patricia
Nery, que estava vestida de entidade Maria Padilha, saudou os malandros. O
público reagiu calorosamente.
Para apresentar o
enredo “Eu vou de Mocidade com samba e Rock in Rio, por um mundo melhor”, a
Mocidade trouxe paradinhas, acordes de guitarra e muitos passos de rock and
roll. Logo atrás da bateria, estava um tripé que carregava o cantor Evandro
Mesquita que tocava guitarra em alguns pontos da avenida.Na fase final do
desfile, os 280 ritmistas, comandados pelos mestres Beréco e Dudu, fizeram a
famosa paradinha e levantaram o público nas arquibancadas. Na abertura, a
comissão de frente, coreografada por Jaime Arôxa, trouxe casais dançando o
nostálgico rock dos anos 50 e 60. Mas houve alegorias que causaram
estranhamento, como o quarto carro, “Construindo um mundo melhor”. A alegoria,
que seria "uma visão poética da mobilização pela paz e preservação ambiental"
tinha uma frente que mais parecia uma tromba de planta carnívora.
Comemorando seus 60
anos, a União da Ilha contou o enredo "Vinícius, no plural - paixão,
poesia e carnaval', uma homenagem ao poeta Vinícius de Moraes. A agremiação até
conseguiu empolgar o público no início, mas não manteve o ritmo apesar do
samba-enredo de letra fácil. O segundo carro, "Pátria Minha — O
Poeta", era uma grande homenagem ao Brasil, com componentes que levantavam
a bandeira do país. A quarta alegoria, "Afrossamba — O Branco mais preto
do Brasil", demorou a entrar na Avenida. Como saía fumaça da parte
traseira, os bombeiros chegaram a fazer uma verificação e disseram se tratar de
algo normal. Vinícius apareceu representado no tripé "Bossa Nova - O
compositor". As fantasias, embora não tivessem o luxo de escolas com mais
recursos, ajudaram a contar bem o enredo. A irreverência, uma das marcas da
escola, esteve presente em várias alas, como a "Menino de Ilha". Os
componentes vinham com balões e trajes de banho para adultos e roupinhas
infantis inspiradas nos anos 20. A ala "As muito feias que me
perdoem" tinha integrantes com maiô, toca de natação e um sol. Essa era
também uma homenagem à banda de Ipanema. A “Patota de Ipanema”, com surfistas
de topetes gigantescos e pranchas coloridas também era uma das mais engraçadas.
Uma das alas mais bonitas foi a Valsa de Eurídice, que trouxe fantasia
inspirada em uma ânfora grega em forma de vestido que retrata cenas inspiradas
no mito de Orfeu.
Com o enredo “As sete
confluências do Rio Ham”, sobre os 50 anos da imigração coreana, a Inocentes de
Belford Roxo também teve problemas com alegorias como a terceira (“Do porto de
Busan ao Porto de Santos — o Tjitjalenka — a saudade e a esperança”), que
empacou no setor 7. O último carro da escola de Belford Roxo (“Brasil oriente
da folia” ) teve um problema para fazer uma curva e raspou a lateral na grade
esquerda do Setor 1, danificando um pouco a lateral do carro. Já a sexta
alegoria (“A fé refletida na paz de um olhar”) apresentava falhas de
acabamento. Mas o quinto carro, o da Ciência e Tecnologia, trouxe um tigre com
engrenagens mecânicas, representando os quatro tigres asiáticos, cujos urros
que soltava pela avenida agradaram a arquibancada.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/carnaval-2013/belas-alegorias-falhas-em-carros-marcam-primeira-noite-do-grupo-especial-7550669#ixzz2Kavm4zFy
TOMADO DE O GLOBO DE BR 

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