Suíços rejeitam projeto de salário básico para toda
população, apontam projeções
Segundo levantamento, quase 78% dos eleitores votaram contra
a proposta de Renda de Base
Incondicional
Suíços rejeitam projeto de salário básico para toda
população, apontam projeções PATRIK STOLLARZ/AFP Foto: PATRIK STOLLARZ / AFP
Os suíços rejeitaram por ampla maioria, neste domingo, a
criação de uma Renda de Base Incondicional (RBI) para toda a população, de
acordo com as primeiras projeções divulgadas. Alvo de debates no país, o
projeto sugeria um salário de 2,5 mil francos suíços (cerca de R$ 9 mil) para
os adultos e de 625 francos (cerca de R$ 2,2 mil) para as crianças.
Quase 78% dos eleitores rejeitaram a criação da medida,
segundo uma projeção nacional do instituto de pesquisas gfs.bern, divulgada
pela televisão pública. Os resultados definitivos devem ser anunciados no
início da noite.
A rejeição da proposta, apresentada por um grupo sem
vínculos partidários, não surpreende em um país que, em 2012, se recusou a
aumentar o período anual de férias remuneradas de quatro para seis semanas, por
temer a perda de competitividade.
— Os suíços votaram de forma realista — afirmou ao canal RTS
Andreas Ladner, professor da Universidade de Lausanne.
A iniciativa por uma RBI pretendia pagar uma remuneração a
todos os suíços ou estrangeiros que moram no país há pelo menos cinco anos, com
ou sem trabalho. Isso exigiria uma fonte de financiamento adicional de quase 25
bilhões de francos por ano, o que significaria um aumento de impostos ou a
criação de novas taxas.
— É um sonho que existe há tempos, mas que se tornou
indispensável devido ao desemprego provocado pela crescente automatização —
explicou Ralph Kundig, um dos líderes da iniciativa, antes da votação.
Depois dela, Kundig se declarou, no entanto, "muito
feliz" com o resultado, pois "começamos muito atrás". Tanto o
governo como quase todos os partidos políticos consideravam o projeto utópico e
excessivamente oneroso.
— É um sonho antigo, um pouco marxista. São muitos
sentimentos bons irrefutáveis, mas sem nenhuma reflexão econômica — observou o
diretor do Centro Internacional de Estudos Monetários e Bancários de Genebra,
Chrles Wyplosz, que também comentou que, se a relação entre a remuneração e o
trabalho acabar, "as pessoas farão menos".
O ministro suíço do Interior, Alain Berset, doutor em
Economia, havia chamado o projeto de "algo utópico". A seu lado, o
governo, o Parlamento e os partidos políticos, exceto os Verdes e a
extrema-esquerda, eram contrários à ideia.
Um novo mundo
trabalhista
Para os Verdes, a RBI garantiria um "mínimo
vital", uma vantagem para os empregados, que poderão resistir melhor à
pressão do mercado de trabalho e rejeitar condições trabalhistas deploráveis.
O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho
(OIT, uma agência da ONU), Guy Ryder, não chegou a se posicionar, mas
reconheceu que a transformação no longo prazo do mundo trabalhista levará as
sociedades a "encontrar meios de distribuição de receitas nacionais que
não estejam diretamente relacionados ao trabalho ou ao salário".
Consultados no referendo sobre outros temas, 66% dos
eleitores suíços aprovaram uma reforma para acelerar os procedimentos de um
pedido de asilo, e 61% votaram a favor da autorização do diagnóstico genético
pré-implantacional (DGP).
O DGP permite selecionar e congelar embriões, mas apenas os
de casais portadores de uma doença hereditária grave ou que não podem ter
filhos de maneira natural. Os críticos do projeto o chamaram de "lei
eugenista". TOMADOD E ZERO HORA DE RGS BR

No hay comentarios:
Publicar un comentario