Em 10 anos, reservas
particulares na mata atlântica crescem 80%
RAFAEL GARCIA DE SÃO PAULO
O número de propriedades particulares na mata atlântica
transformadas em reservas por iniciativa dos próprios donos aumentou 80% nos
últimos dez anos, indica levantamento de ONGs ambientalistas. Apesar do
crescimento, porém, a área somada dessas unidades de conservação ainda é menor
que o município de São Paulo.
As RPPNs (reservas particulares do patrimônio nacional)
existem desde a década de 1990, quando o Ibama viu uma oportunidade para
engajar proprietários de terra em esforços de conservação. A iniciativa é
particularmente importante na mata atlântica, onde 80% do que resta da
vegetação original está em propriedades privadas.
Joel
Silva/Folhapress
Eugenio e Kirsten Follman, em sua propiedade em Mairiporã
Eugenio Follman e Kirsten Balonyi, em sua propiedade em
Mairiporã
"Amigos me diziam que eu estava louco", diz dono
de reserva particular
Hoje, há 762 RPPNs no bioma espalhadas em 14 Estados,
somando 142 mil hectares. Segundo ambientalistas que dão suporte técnico a
proprietários de RPPNs, apesar de existirem alguns incentivos, como a isenção
de ITR (imposto territorial rural), a principal motivação para a criação das
reservas ainda é a consciência ambiental.
"Muitos proprietários de terra permanecem por muito
tempo nessas áreas e acabam desenvolvendo um carinho especial por elas",
conta Mariana Machado, coordenadora do programa de incentivo a RPPNs das ONGs
SOS Mata Atlântica e Conservação Internacional. "Alguns têm a preocupação
de que as próximas pessoas a serem donas da área não cuidem dela."
Como a RPPN é uma unidade de conservação criada em caráter
perpétuo, porém, alguns proprietários temem que suas terras percam valor e que
talvez precisem vendê-las no futuro. Mas há quem aposte que a criação da
reserva valorize o terreno.
MAIS VALOR
Donos de hotéis, agricultores orgânicos e agentes de
ecoturismo são o novo perfil de proprietário que tem procurado a SOS Mata
Atlântica atrás de ajuda para criar RPPNs. A ONG oferece auxílio no trâmite
burocrático e no plano de manejo das áreas conservadas das reservas.
Muitas novas RPPNs são pequenos negócios com mata intocada
ao redor. Para o jornalista João Yuasa, que constrói uma pousada em São Luiz do
Paraitinga (SP), onde já tinha um sítio, a motivação principal para criar uma
reserva é a vontade de preservar. Ele diz crer, porém, que a iniciativa
acrescente valor ao seu novo investimento.
"O perfil de hóspede que a gente quer é a pessoa com um
pouco de consciência ecológica, que valoriza a preservação ambiental, o silêncio
e a tranquilidade", diz Yuasa.
Segundo o Global Environment Facility, fundo que banca
iniciativas de conservação, o aumento do número de RPPNs é essencial para
preservar a região, onde matas remanescentes são apenas 8,5% da cobertura
original e estão muito fragmentadas.
"A mata atlântica não é como a Amazônia, onde US$ 3
milhões criam uma reserva de 1 milhão de hectares", diz Gustavo Fonseca,
coordenador de biodiversidade do fundo. "Aqui o setor público não tem como
arcar com o custo. O preço da terra é muito alto, e é preciso ter o
envolvimento da sociedade para preservar essas áreas importantes." TOMADO
DE FOLHIA DE SAN PABLO BR


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