Custo ambiental e
social dobra em usinas do Madeira
JULIA BORBA DE
BRASÍLIA
As empresas responsáveis pela construção das usinas
hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira (RO), subestimaram o
custo que teriam com a parte social e ambiental dos projetos e terão de
desembolsar o dobro do que previam.
As despesas envolvem,
por exemplo, a remoção de famílias ribeirinhas das áreas afetadas e a
realocação delas em outras regiões, além da retirada de animais das terras que
serão inundadas.
O consórcio que
arrematou Jirau calculou gasto de R$ 600 milhões com essas obrigações, custo
que deve fechar em R$ 1,3 bilhão.
Em Santo Antônio, o
valor era R$ 970 milhões. A nova projeção está em R$ 2 bilhões.
As principais causas
dessa elevação são a fragilidade dos levantamentos prévios que acompanhavam o
edital das obras e a imprecisão das avaliações posteriores, das próprias
empresas.
A variação faz parte
dos riscos dos consórcios ganhadores. Por isso, não há como repassá-la para o
governo.
Além da imprecisão
inicial, está na lista de motivos para aumento dos gastos das empresas a
alteração significativa de algumas variáveis no período entre a publicação do
edital e o início das obras. É o caso, por exemplo, do número de famílias que
tiveram de ser retiradas das margens da usina de Santo Antônio.
Editoria de
Arte/Folhapress
Inicialmente,
estimava-se que havia pouco mais de 600 casas na área afetada pela obra. O
número, porém, subiu para 1.700 famílias.
Empresários ouvidos
pela Folha sustentam que houve um grande movimento populacional, depois do
anúncio da obra, de famílias interessadas em ganhar moradia.
Também entrou na
conta a maior quantidade de terrenos que tiveram de ser comprados para servir
como área de remanso, ou seja, terrenos considerados sujeitos a cheia ou erosão
após as mudanças no curso d'água.
Gastos com o controle
da malária também superaram as previsões e chegaram a R$ 14 milhões, em ações
de prevenção, tratamento e combate à doença nas áreas urbanas de Porto Velho
(RO).
A medida é uma das
condicionantes impostas ao consórcio para que ele recebesse a licença de
operação da usina de Santo Antônio.
De acordo com o
presidente da Santo Antônio Energia, Eduardo de Melo Pinto, o aumento dos
custos socioambientais será compensado com outras economias.
No caso de Jirau, o
aumento na quantidade de famílias a serem removidas não faz parte das
principais causas para o aumento de custos. Pesou mais a construção da
infraestrutura para receber os ribeirinhos removidos.
"A gente decidiu
fazer uma cidade, que é Nova Mutum. O pessoal recebeu casa, esgoto, lixo
tratado, rua asfaltada, escola, creche, posto de saúde. Eles ficaram em
condições muito melhores que as previstas", disse Victor Paranhos,
diretor-presidente do consórcio Energia Sustentável do Brasil.
A compensação pelos
impactos às populações indígenas também não havia sido devidamente considerada.
Foi necessário promover programas específicos de preservação, apoio e
monitoramento nas terras impactadas, como Igarapé Lage, Igarapé Ribeirão e
Uru-Eu-Wau-Wau. Tomado de folhia de san pablo Brasil

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