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Leandro Carvalho
Irrigação artificial tem sido alternativa contra a seca
Agricultores e pecuaristas estão sentindo os efeitos da seca
no bolso. E segundo eles, a chuva de domingo à tarde não foi suficiente nem
para amenizar o estrago. Muitas culturas estão perdidas em mais de 80%, a
exemplo do milho. O gado, magro, pela falta de capim e principalmente de água,
também sofre. "Está tudo torrado. E não há mais água para os bichos",
diz Ivan Machado, mostrando o açude com níveis muito abaixo do normal e a
plantação recebendo irrigação artificial, único jeito de salvar um pouco do prejuízo.
"Mas não dá muito certo não porque é muito caro irrigar assim. Há o
desgaste do trator, o gasto com o combustível e com peças", ressalta Ivan.
Por ter tido uma boa produção de milho ano passado, grãos
estes que utiliza para silagem, resolveu investir na ampliação da área plantada
em mais dois hectares. "Passei de quatro para seis hectares, esperando um
ótimo resultado, já que no ano passado consegui tirar 60 mil quilos para a
silagem. Aumentei esse ano para mais dois hectares e esperava colher o dobro.
Se não chover o suficiente dentro de 10 dias, vou perder tudo", lamenta o
produtor.
Ivan diz que o agricultor e o pecuarista precisam de muito
apoio para a construção de novos açudes. Este é o pedido de todos os que
dependem do resultado da terra para sobreviver. "Todos os anos, neste
período que é de seca, pedimos mais açudes e sempre ficamos sem resposta. Há
uma máquina para isso, só que sabemos que está quebrada".
O produtor Jorge Luiz Ferreira, diz que há quase dois meses
não chove no banhado Silveira. Ele até parou de tentar arar a terra porque o
arado não consegue fazer mais sulcos. Neste ano, ele plantou abóbora e
batata-doce. E já calcula que também perdeu mais de 80% da produção. Irrigando
com água do poço artesiano, diz que não conseguiu mais salvar a produção de
abóbora. "Olha só. Secou tudo", diz, apontando para uma planta aqui,
outra lá, nascendo em uma terra que podemos chamar de "torrão".
A batata-doce, um pouco mais resistente, começou a murchar.
"Não tem água suficiente para chegar até à raiz. Precisamos de chuva que
encharque a terra". Por outro lado, Jorge teme os temporais, que podem sim
arrasar o pouco que sobrou. "É difícil. Se continuar a seca, tudo vai
morrer. Se vier um temporal, mata o pouco que poderemos colher. Precisamos o
suficente para calar a terra", enfatiza.
"Há mais de dois meses não vimos uma chuva das boas
para molhar a terra", salienta José Antônio Miranda. Caminhando entre as
plantações de cebola, abóbora e feijão, lamenta as culturas que estão se
perdendo. "A cebola e a abóbora já estão perdidas. A abóbora, nem
conseguiu colocar 'baraço'. Com muita esperança, a colheita vai ser em torno de
menos 50%. O feijão, como vocês podem ver, já secou". A esperança de todos
é que em menos de 10 dias venha uma chuva para salvar, pelo menos, o que a seca
não matou. Tomado de agora de rgs br
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