As
florestas que perdemos nos últimos 30 anos
Paulo André
Vieira - O ser humano é capaz de modificar o meio ambiente das mais diversas
maneiras. Aqui neste blog já mostramos a malha noturna formada pelas luzes de
cidades, círculos verdes de plantação bem no meio do deserto e até mesmo ilhas
artificiais nos formatos mais inusitados. Essas intervenções podem ser vistas
lá de cima pelos sensores a bordo dos satélites que são colocados em órbita.
São imagens incríveis, mas por vezes nos
esquecemos de considerar como era a superfície do planeta antes dessas
intervenções.
Buscando no site do programa Landsat,
recuperamos algumas imagens de "antes e depois" de algumas das obras
humanas que mais afetam o meio ambiente: as barragens de usinas hidrelétricas.
A principal vantagem da energia gerada por
usinas hidrelétricas, dizem seus defensores, é o fato de ser limpa e barata. Em
coluna para ((o))eco, o pesquisador do Imazon Paulo Barreto afirmou que nossa
energia não é barata e nem limpa e pode ser muito opressora. Além das áreas
alagadas pelas barragens, as hidrelétricas também atraem imigrantes que
estimulam a economia local, aumentando o desmatamento indireto causado pela
usina.
As primeiras imagens mostram a região do lago
artificial da Usina de Serra da Mesa, o segundo maior lago do Brasil,
localizado no Noroeste de Goiás. Para preservar a memória daquela região
impactada pela construção da represa foi construído em 2004 um memorial que
conta a história do que ficou debaixo das águas, incluindo as matas, os animais
e as pedras.
Localizada no Rio Paraná à altura do município
paulista de Rosana, a segunda hidrelétrica é a
Usina Hidrelétrica Engenheiro
Sérgio Motta, também chamada de Usina Hidrelétrica Porto Primavera. Ela deveria
ter sido concluída em 1988, mas sua última unidade geradora só foi inaugurada
em 2003 após inúmeras denúncias de desvios de verbas. Sua barragem é a mais
extensa do Brasil, com 10.186 metros de cumprimento. O lago de Porto Primavera
tem sete vezes o tamanho da baía de Guanabara e 25 mil hectares a mais que o
lago de Itaipu, mas gera sete vezes menos energia que esta última usina, sendo
considerada a terceira mais ineficiente usina hidrelétrica do mundo.
A usina apontada como a mais ineficiente do
mundo também fica em território brasileiro. É a Hidrelétrica de Balbina, que
começou a ser construída na década de 1970 e inaugurada apenas em 1989. Ela
alagou centenas de quilômetros quadrados de floresta amazônica e deslocou
comunidades de índios Atroari que viviam em áreas hoje submersas. Sua capacidade
é baixa, próxima dos 250 MW, e para produzir, em média, 120 MW de energia para
a cidade de Manaus. A situação foi ainda agravada pelo projeto mal feito que
optou afogar as árvores em vez de cortá-las o que criou um verdadeiro cemitério
aquático com centenas de estacas no meio da água e milhões de toneladas de
emissão de metano.
Além das hidrelétricas, um velho conhecido
também é capaz de provicar profundas alterações na superfície do planeta.
Usando as imagens do Landsat é possível acompanhar a evolução do desmatamento
na região de Sinop, onde ((o))eco esteve em 2012 acompanhando uma operação do
Ibama para conter o desmatamento desenfreado que ocorre na região. A primeira
imagem abaixo é de 1984, apenas 10 anos depois da fundação da cidade. A floresta
ainda reina soberana. Mas na imagem seguinte, de 1988, o satélite consegue
captar o flagrante do fogo abrindo caminho na mata. Outros trechos negros
denunciam onde o fogo já havia queimado anteriormente. A última imagem é de
2013, e quase não se vê mais floresta, apenas o mosaico de terras desmatadas.
A animação a seguir mostra o avanço do
desmatamento nesses últimos 29 anos. É impressionante acompanhar a floresta
desaparecendo diante de nossos olhos, como desapareceram também, só que de
maneira quase instantânea, as florestas alagadas pelas barragens das
hidrelétricas.
Tomado del
face de maristela crispin


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