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fotografía de La Paz Bolivia , 2017; autor luis pedro mujica

domingo, 25 de junio de 2017

CARNE CAI ATÉ 40% EM BRASIL

Carestia dá alívio e carne cai até 40% em supermercados do DF
Levantamento realizado pelo Correio em supermercados do DF constata desaceleração do custo de vida e mostra a importância de pesquisar preços para garantir produtos mais em conta. Alguns itens, no entanto, como o tomate, estão mais caros
Andressa Paulino* /* , Rodolfo Costa Bárbara Cabral/Esp.CB/D.A. Press
Eva Nunes, dona de casa: "Os valores estão mais razoáveis nesta semana. Alguns itens, como frutas, legumes e frango diminuíram em relação à semana passada"
A crise política que envolve a JBS, maior processadora de proteína animal do mundo, e os problemas enfrentados pelos exportadores brasileiros de carne bovina acabaram tendo reflexo positivo no bolso do consumidor.  De acordo com pesquisa realizada pelo Correio, o preço do produto caiu em boa parte dos supermercados do Distrito Federal. Em um dos estabelecimentos, o quilo do contrafilé, que custava R$ 43,69 na semana passada, recuou para R$ 25,69, uma redução superior a 40%. Mas é possível encontrar o produto por R$ 17,99 em outro mercado.
Não foram apenas cortes de carne bovina, contudo, que ficaram mais em conta. Os preços de alguns hortifrutigranjeiros também caíram. O pé de alface, por exemplo, pode ser comprado por menos de R$ 2 em todos os estabelecimentos pesquisados. Já a maçã é encontrada abaixo de R$ 4 o quilo. Em certos mercados, os custos se mantiveram, como nos casos do alho, da laranja e da banana. O arrefecimento da carestia acompanha de perto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que subiu 0,16% em junho (veja matéria abaixo).
“Eu percebi que os valores estão mais razoáveis nesta semana. Alguns itens, como frutas, legumes e frango diminuíram em relação à semana passada”, constatou a dona de casa Eva Nunes, 59 anos. Nem todos os consumidores, porém, estão satisfeitos com os preços.
Para o militar Oldismar Pinto, 42 anos, apesar da queda de alguns produtos, os valores ainda são altos para a renda familiar. “Os preços deram uma estabilizada, mas ainda estão elevados. Alguns itens de hortifrúti realmente diminuíram, mas, em contrapartida, o arroz e o feijão aumentaram”, afirmou.
Pesquisar preços e programar o consumo são medidas que podem ajudar na economia do orçamento doméstico. Trocar compras mensais por semanais, na avaliação do consultor financeiro Rogério Olegário, é uma tática eficiente para driblar a inflação. “É importante não fazer estoques e ir semanalmente ao mercado comprar só o necessário. Assim, o consumidor evita o desperdício”, afirmou.
Mas é preciso atenção. Nem todos os produtos tiveram o preço reduzido ou  mantiveram o custo. O quilo do tomate, por exemplo, subiu na maioria dos estabelecimentos pesquisados, com altas entre entre 5% e 50%. Itens como açúcar, óleo de girassol, farinha de mandioca e desinfetante também aumentaram em quase todos os mercados, de acordo com o levantamento.
A desaceleração dos aumentos — ou até queda — de preços de alimentos é uma realidade, mas isso não significa que todos os consumidores vão sentir a redução, ponderou o economista Newton Marques, professor da Universidade de Brasília (UnB). “O que está acontecendo na economia do país é uma desinflação. Mas, se, de alguma forma, a renda da pessoa diminuir mais do que os preços, ela não vai notar essa redução”, analisou.
A tendência é que a desinflação se mantenha nos próximos meses. Analistas acreditam que, até agosto, os preços de alimentos e bebidas continuarão em ritmo de arrefecimento. A expectativa é de que esse processo perca força nos últimos quatro meses de 2017, mas, mesmo assim, o poder de compra das famílias não sofrerá reversão.
O cenário de custo de vida em queda amplia o espaço para que o Banco Central (BC) continue reduzindo a taxa básica de juros (Selic). Para muitos especialistas, a taxa sofrerá mais um corte de um ponto percentual em julho, caindo para 9,25% ao ano. O consultor Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor da autoridade monetária, contudo, prega cautela. “Esse choque deflacionário nos alimentos pode ser transitório. Diante da política fiscal expansionista, é preciso ter cuidado com a redução dos juros”, avaliou.

* Estagiária sob orientação de Odail Figueiredo – TOMADO DE CORREIO BRAZILIENSE 

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