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fotografía del sur de Argentina , autor luis pedro mujica

viernes, 30 de junio de 2017

REDUZIR A POLUIÇÃO EVITA 14 MIL MORTES POR ANO, DIZ PESQUISA

 Reduzir a poluição evita 14 mil mortes por ano, diz pesquisa
As vidas seriam preservadas com a diminuição de partículas atmosféricas poluentes e de gás ozônio, mostram cientistas dos EUA. Segundo o trabalho inédito, homens e pessoas em dificuldades socioeconômicas estão entre as principais vítimas
Paloma Oliveto Mark Ralston/AFP
 Embora invisíveis, elas são extremamente prejudiciais à saúde. Partículas poluentes muito finas, como as contidas na poeira mineral e as decorrentes da queima de combustíveis fósseis, podem até matar. No maior estudo já realizado sobre a associação entre a poluição atmosférica e o risco de mortalidade precoce, pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública Harvard T. H. descobriram que reduzir os níveis de alguns tipos de material particulado no ar pode salvar 12 mil vidas por ano. Da mesma forma, baixar as emissões do gás ozônio evitaria 1,9 mil mortes anualmente.
 O estudo é estatístico e não investigou a relação de causa e efeito. Contudo, diversas pesquisas prévias demostraram que poluentes afetam o trato respiratório e também podem impactar na saúde cardiovascular porque as partículas inaladas entram na corrente sanguínea, desencadeando respostas inflamatórias e estresse oxidativo. Entre as consequências, estão hipertensão, arritmias, aterosclerose e formação de coágulos. Estudos também associam os níveis elevados de poluição ao desenvolvimento de diabetes, independentemente de fatores genéticos (Leia mais nesta página).
Apesar da robusta literatura científica a respeito, os pesquisadores de Harvard decidiram visualizar o efeito dos poluentes em uma grande amostra populacional. Para isso, a equipe de Francesca Dominici, professora de bioestatísticas da instituição, avaliou dados de 60 milhões de beneficiários do Medicare, o sistema de saúde norte-americano voltado aos cidadãos com mais de 65 anos, referentes ao período de 2000 a 2012. Com base no código postal de cada um deles, os cientistas conseguiram informações sobre a qualidade do ar no local de residência e fizeram um modelo estatístico que estimou o risco de morte associado à exposição ao gás ozônio e às partículas do tipo PM 2,5.
O chamado material particulado (PM, em inglês) afeta mais o organismo que qualquer outro poluente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele é composto por sulfato, nitratos, amônia, carbono, poeira mineral, clorito de sódio e água. Quanto menor a partícula, mais prejudicial: aquelas com diâmetro inferior a 10 micrômetros podem penetrar mais profundamente os pulmões e, entre as consequências, está o câncer nesse órgão, justamente o que mais mata no mundo. Um micrômetro equivale à milésima parte do milímetro. No estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, os autores se focaram nas concentrações PM 2,5, ou seja, a quantidade de partículas com 2,5 micrômetros por metro cúbico de ar.
Resultado contundente
Os pesquisadores de Harvard descobriram que não é preciso muito para as partículas se tornarem letais. Um aumento de apenas 10 micrômetros por metro cúbico dos poluentes PM 2,5 no ar elevou o risco de morte precoce por todas as causas em 7,4%. Já o aumento de 10ppb (partes por milhão) do gás ozônio foi responsável por 1,1% dos óbitos precoces, segundo os cientistas. “No caso das partículas PM 2,5, esse risco é ainda maior entre homens, negros e pessoas com baixo status socioeconômico. Provavelmente porque vivem em áreas com pouco controle de qualidade ambiental”, observa Francesca Dominici. “Esse é um estudo de poder estatístico sem precedentes por causa do tamanho massivo da população analisada”, continua.
O oncologista Igor Morbeck, do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, concorda. “O artigo não deixa dúvidas sobre a associação dos poluentes com a mortalidade precoce e mostra que, mesmo nos limites menores (das partículas), os fatores de risco são fortes”, observa. “Acredito que essa análise vai gerar várias outras. Nós precisamos entender ainda qual seria o limite seguro e o tempo mínimo de exposição associado ao risco de mortalidade. Existe uma estimativa de que os poluentes aumentem em torno de 8% a 10% o risco de câncer de pulmão, mas esses dados não são tão robustos, nem recentes”, exemplifica o médico, que é membro da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC) e da Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão (IASLC).
Francesca Dominici diz que os resultados trazem aplicações práticas, que devem ser levadas em conta nas políticas públicas. “Nossos dados sugerem que a redução das emissões de material particulado fino traz importantes benefícios para a saúde pública, especialmente para minorias étnicas e pessoas com baixo poder socioeconômico”, avalia.
Os impactos
Poluente  - Efeito na saúde
Partículas totais em suspensão (PTS)
Efeitos significativos em pessoas  com doenças pulmonares, como asma e bronquite
Partículas inaláveis (PM10)
Aumento de atendimentos hospitalares e de mortes prematuras e insuficiência respiratória pela deposição dos poluentes nos pulmões
Partículas inaláveis muito finas (PM 2,5)

Exacerbação de doenças pulmonares, como bronquite, aumento na  mortalidade e desenvolvimento de asma, alergia e doenças cardiovasculares  TOMADODE CORREIO BRAZILIENSE 

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