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fotografía del sur de Argentina , autor luis pedro mujica

domingo, 4 de junio de 2017

PESQUISADORES CONSEGUEM SEQUENCIAR GENOMA DE MÚMIAS DO EGITO ANTIGO

 Pela primeira vez, pesquisadores conseguem fazer o sequenciamento do genoma total de três indivíduos mumificados no Egito antigo. Estudo ajuda a compreender as dinâmicas populacionais e revela uma forte influência do DNA subsaariano no país do Nilo
Paloma Oliveto
 bpk/Aegyptisches Museum und Papyrussammlung, SMB/Sandra Steiss/Divulgação
Uma das três múmias estudadas: cientistas investigaram a continuidade da população por 1,3 mil anos e compararam dados aos egípcios modernos
Quando o linguista francês Jean-François Champollion decifrou, no século 18, o sistema de escrita egípcio, uma rica narrativa milenar se desvelou para o mundo. A história desse povo, contudo, ainda é repleta de mistérios, que, em muitos casos, acabaram enterrados nas tumbas. E que, agora, começam a ser decifrados pela genética. Assim como os hieróglifos, os genes contêm informações essenciais para compreender o antigo Egito. Graças a técnicas minimamente invasivas e mais acuradas, pesquisadores estão conseguindo ler o DNA de múmias, e obtendo novas revelações sobre essa civilização.
Na edição de ontem da revista Nature Communications, um grupo internacional de pesquisadores liderados pela Universidade de Tuebingen e pelo Instituto Max Planck, ambos na Alemanha, publicou a análise genética de 151 indivíduos datando de 1.400 a.C a 400 d.C. Entre eles, há três múmias que tiveram o sequenciamento do genoma nuclear, técnica que permite extrair dados mais amplos que os obtidos somente pelo estudo do DNA mitocondrial. Entre outras revelações, os genes milenares revelaram que os antigos egípcios tinham uma forte associação com os povos do Oriente Próximo e do Levante, região da costa mediterrânica de Gaza à Turquia considerada o berço da agricultura. Além disso, o estudo mostrou que a população moderna tem ancestralidade principalmente da África subsaariana.
Para o estudo, os pesquisadores alemães, da Universidade de Cambridge e da Academia Polonesa de Ciências investigaram a diferenciação genética e a continuidade da população ao longo de 1,3 mil anos. Depois, compararam os dados com os genes de egípcios modernos. Eles usaram amostras retiradas de 151 indivíduos mumificados do sítio arqueológico de Abusir el-Melq, ao longo do Rio Nilo, na região central do país, que compõem duas coleções antropológicas.
Rastreamento
No total, os cientistas conseguiram extrair o genoma mitocondrial — herdado da mãe — de 90 indivíduos. Pela primeira vez, foi possível também obter o genoma total de três pessoas. “Estávamos interessados, particularmente, nas mudanças e na preservação da constituição genética dos antigos habitantes de Abusir el-Meleq”, diz Alexander Peltzer, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade de Tuebingen. De acordo com ele, a equipe tinha como objetivo determinar se as antigas populações foram afetadas, no nível genético, pelas conquistas estrangeiras e as dominações ocorridas no período que compreende o estudo. “Queríamos testar se a conquista de Alexandre, o Grande, e de outros poderes estrangeiros deixaram uma marca genética nas populações do antigo Egito”, complementa Vera Schuenemann, a líder do trabalho em Tuebingen (leia três perguntas para).
De acordo com a pesquisadora, o Egito é um excelente local para o estudo de povos antigos porque, além de ter uma história rica e bem documentada, sua localização geográfica e as interações (nem sempre pacíficas) com populações das áreas próximas, seja na África, na Ásia ou na Europa, fazem do país uma região de dinamismo populacional. “Avanços recentes no estudo de DNA antigo nos fornecem uma oportunidade intrigante para testar o que sabemos sobre a história egípcia, a partir de dados genéticos”, diz Schuenemann.
Os dados revelaram que os antigos egípcios estavam bastante associados às populações antigas do Levante e também tinham DNA dos povos neolíticos da península anatoliana e da Europa. “Os genes da comunidade de Abusir el-Meleq não sofreram grandes alterações durante os 1,3 mil anos que compreendem nosso estudo, sugerindo que a população continuou relativamente estável do ponto genético, apesar das conquistas estrangeiras”, disse, em nota, Wolfgang Haak, que liderou os trabalhos no Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana em Jena.
De acordo com ele, os egípcios modernos compartilham aproximadamente 8% mais ancestralidade no nível nuclear com as populações da África subsaariana, do que os antigos egípcios. “Isso sugere que um aumento no fluxo genético subsaariano para o Egito ocorreu dentro dos últimos 1,5 mil anos”, complementou Stephan Schiffels, também pesquisador do Max Planck. Alguns fatores que podem estar por trás dessa mistura de DNA são os melhoramentos na mobilidade pelo rio Nilo, o aumento do comércio entre egípcios e os países dessa região africana e o tráfico de escravos vindos do sul do Saara, iniciado por volta de 1,3 mil anos atrás.

Os pesquisadores explicaram que o trabalho é inovador devido, principalmente, às dificuldades metodológicas e aos riscos de contaminação implicados nas pesquisas com múmias. Alguns cientistas, inclusive, levantam dúvidas sobre o grau de confiança de dados extraídos de múmias. “A preservação potencial do DNA (de múmias) tem sido tratada com ceticismo”, afirma Johannes Krause, diretor do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana em Jena e autor sênior do artigo. “O clima quente, a umidade em muitas tumbas e algumas substâncias e técnicas empregadas na mumificação contribuem para degradar o DNA, e se acreditava que a sobrevivência do DNA das múmias seja improvável”, diz. Contudo, o cientista destaca que, nesse trabalho, foram utilizadas metodologias de ponta, com “métodos robustos de autenticação”, o que, para ele, abrirá uma nova linha de estudos sobre a história antiga. Tomado de correio brasiliense 

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