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fotografía de Corrientes Argentina , autor luis pedro mujica

domingo, 14 de mayo de 2017

DOCUMENTÁRIO "TAEGO ÃWA" DENUNCIA MASSACRE INDÍGENA

 Documentário "Taego Ãwa" denuncia massacre indígena
Filme goiano está em cartaz no CineBancários, no Guion Center e no Espaço Itaú, em Porto Alegre Por: Daniel Feix
Foto: Vitrine Filmes / Divulgação 
O extermínio dos índios é uma chaga social cujo debate se faz cada vez mais urgente, dado o crescimento recente das forças conservadoras, notadamente da bancada ruralista no Congresso Nacional. Ao menos não se pode dizer que o tema não tem tocado a produção cultural. Além de ter motivado a produção do filme brasileiro do ano até aqui (Martírio, de Vincent Carelli, leia crítica aqui), o assunto está em outros lançamentos recentes, caso do livro Os Fuzis e as Flechas: A História de Sangue e Resistência Indígenas na Ditadura (Cia. das Letras), do jornalista Rubens Valente, e também do documentário de longa-metragem Taego Ãwa, que estreia nesta quinta-feira (11) em Porto Alegre, no CineBancários, no Guion Center e no Espaço Itaú (nesta última sala com sessão apenas na quarta-feira que vem, dia 17).
O longa dos irmãos Henrique e Marcela Borela surgiu quando ambos encontraram cinco filmes em fitas VHS na Universidade de Federal de Goiás. Esses filmes mostram o povo Avá-Canoeiro, os Ãwa nativos da região de Formoso do Araguaia (TO), em atividades cotidianas e em contato com o homem branco que seria o seu algoz. Usando-as em uma narrativa que mescla imagens históricas e atuais – as mais antigas ilustrando o que os remanescentes dessa etnia contam hoje sobre o seu passado –, a dupla reconstrói o seu percurso, com especial atenção para a perseguição sofrida nos anos 1970, momento definidor de seu trágico destino.
São poucos os sobreviventes dos Avá-Canoeiro, alguns sem contato com os brancos, o que faz Taego Ãwa filiar-se a uma corrente prolífica dos documentários indígenas brasileiros que tem entre seus destaques outro título de Vincent Carelli: o vencedor do Festival de Gramado Corumbiara (2009), que narra o massacre na gleba homônima, em Rondônia. Os dois longas falam do extermínio de povos específicos. Mas é como se falassem de maneira mais ampla: há muitos outros casos como os dos Avá-Canoeiro, espalhados não apenas por Rondônia e Tocantins, mas por todo o continente latino-americano.
Uma escolha interessante por parte dos diretores foi pôr os mais velhos a contarem histórias não necessariamente para a equipe do filme, e sim para os índios mais jovens, dando uma ideia mais clara de perpetuação de seus costumes. Outra: a maneira orgânica com a qual misturam-se as imagens contemporâneas e as mais antigas, sem distinções formais, o que quebra certas noções de tempo.
Em um trecho, a montagem deliberadamente associa cenas de assassinatos de índios e de riquezas extraídas da terra, que estariam sendo vistas pelos próprios Avás-Canoeiros na televisão, a uma invasão da tribo a gabinetes Brasília, onde foram exigir a demarcação de suas terras.
Há lógica de causa e efeito, uma lógica quase didática, nesse encadeamento proposto por Henrique e Marcela Borela. Não há, paradoxalmente, explicações sociologizantes – nem mesmo vitimistas. Taego Ãwa configura-se como mais um entre vários filmes-denúncia realizados recentemente, mas a maneira com que apresenta ao espectador a questão, e a fruição que decorre daí, tornam a experiência de assisti-lo particularmente instigante.
É uma questão de dispositivo, como definiriam os teóricos da linguagem. Uma questão muito bem respondida pelos dois irmãos realizadores.
TAEGO ÃWA
De Henrique e Marcela Borela
Documentário, Brasil, 2016, 75min.
Em cartaz em Porto Alegre a partir de quinta (11) no CineBancários, no Guion Center e no Espaço Itaú (nesta última só na quarta-feira, dia 17).
Cotação: bom. TOMADO DE ZERO HORA DE RGS BR


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