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fotografía de La Paz Bolivia , 2017; autor luis pedro mujica

domingo, 7 de mayo de 2017

NO A MINERAÇÃO EM MINAS DO CAMAQUÃ, EM CASAPAVA DO SUL BRASIL

Retomada da mineração em Minas do Camaquã provoca polêmica sobre impacto na região
Região de Caçapava do Sul vive expectativa de exploração de zinco, cobre e chumbo em meio à preocupação sobre impacto no ambiente e em outras atividades econômicas
Por: Bruna Porciúncula
Há pouco mais de 20 anos, a comunidade de Minas do Camaquã, distrito de Caçapava do Sul, viu a exploração do minério de cobre estancar e a bonança se transformar em esquecimento. A vila, antes próspera por conta da mineração, virou quase uma comunidade fantasma, não fossem algumas famílias de mineiros aposentados da Companhia Brasileira do Cobre (CBC).
De lá para cá, os moradores têm vivido a expectativa de um futuro almejado sob diversas bandeiras, do turismo à própria retomada da extração de minérios. A região, encravada no chamado Escudo Sul-Rio-Grandense, voltou a ser alvo de pesquisas no setor por ainda ter grande potencial de exploração
de metais preciosos, incluindo ouro, foco de estudos em andamento na cidade vizinha de Lavras do Sul.
Nesse cenário, avançou um projeto da Votorantim Metais para exploração de zinco, cobre e chumbo no Passo do Cação, localidade a cerca de cinco quilômetros de Minas do Camaquã. As pretensões da empresa levantaram polêmica envolvendo pelo menos oito municípios da Bacia do Rio Camaquã, o principal curso d'água na região. A companhia faz pesquisas no local há quase 10 anos e confirmou a viabilidade econômica da extração dos três metais e de prata
como subproduto. A previsão é de começar as atividades em 2019.
A produção de cobre e chumbo será exportada pelo porto de Rio Grande. O zinco será levado para as metalúrgicas da Votorantim Metais nas cidades mineiras de Juiz de Fora e Três Marias. O estudo e relatório de impacto ambiental (EIA-Rima) do projeto foi encaminhado à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e, contraditoriamente, serviu de munição a quem desconfia das ambições da Votorantim na área. 
Um dos pontos questionados por aqueles que não veem a mineração como caminho socioeconômico sustentável é a possibilidade de contaminação de mananciais e do solo pelo manuseio do chumbo extraído. Junto à preocupação ambiental, está a questão econômica da região, boa parte dela baseada na agricultura e na pecuária, especialmente na criação de ovinos. 
Já existe um arranjo produtivo local em que cerca de 500 famílias de Caçapava do Sul, Lavras do Sul, Piratini, Bagé, Pinheiro Machado, Canguçu, Encruzilhada do Sul e Santana da Boa Vista se mantêm em atividades como a produção de carne de ovelha. Trata-se de, resumidamente, um grupo de empresas e produtores de diversos setores que traça estratégia conjunta de desenvolvimento para
determinado local.
Na região de Caçapava do Sul, a aposta é na criação de ovinos e no turismo. Esse processo econômico se organizou na Associação para o Desenvolvimento Sustentável do Alto Camaquã, que congrega 24 associações de base comunitária, distribuídas nesses oito municípios.
Ainda que reconheça que a mineração sempre oferece riscos, a Votorantim Metais promete medidas de segurança reconhecidas internacionalmente no projeto que pretende levar adiante no distrito de Caçapava do Sul. 
– Não tem produção de metal no projeto. A extração nada mais é do que separar o mineral, que já está ali, do rejeito. Não teremos metalurgia no processo – explica o coordenador do projeto, Paul Cézanne, engenheiro de minas da Votorantim formado pela UFRGS.
Lideranças comunitárias entendem que o simples fato de haver uma mina de chumbo próxima aos campos de produção já gera desconfiança.
– Não se trata só de um apelo ecológico. Como vamos misturar produção de alimentos com chumbo? – questiona o gestor do arranjo produtivo local, Marcos Sanchez Blanco.


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