PRODUÇÃO DE OLIVAS
GANHA ESPAÇO NO RIO GRANDE DO SUL
Colheita de oliveiras vai até o fim de março com estimativa
de 450 toneladas no Estado
TECNO PLANTA/DIVULGAÇÃO/JC
Patrícia Comunello
A colheita das oliveiras cultivadas no Rio Grande do Sul
está acelerada. Dos 2 mil hectares de cultivos feitos em áreas de 160
produtores, 30% estão em condições de retirada da fruta, que depois será
processada para extração do azeite de oliva. A expectativa é de geração de 450
toneladas, que devem resultar em 45 mil litros de azeite, aponta a Câmara
Setorial da Olivicultura, que avalia a expansão da cultura em 400 hectares por
ano.
Ontem foi dada a largada oficial da colheita em uma das
propriedades da Tecno Planta, em São Sepé, na Região Central do Estado, que
levou o governador José Ivo Sartori à propriedade, uma das sedes da empresa que
é dona da marca Prosperato. É o sexto ano de colheita oficial. A chamada Metade
Sul concentra a maior parte dos cultivos. O sócio da Tecno Planta Rafael
Marchetti informa que a empresa tem 280 hectares próprios, localizados em São
Sepé e Caçapava do Sul, Região Central; em Barra do Ribeiro e Sentinela do Sul,
na Costa Doce; e outros 570 hectares de terceiros e áreas de clientes, que
entregam a fruta e pagam pelo processamento.
A colheita começou na segunda quinzena de fevereiro e deve
se encerrar antes do fim de março. São normalmente 30 a 40 dias da retirada,
dependendo de fatores climáticos, que tornam a temporada mais curta ou mais
longa. Outro diferencial é o processo manual de colheita. Cada trabalhador
retira, em média, 70 quilos por dia. Em 2017, 80 pessoas atuam nos olivais. A
Tecno Planta tem hoje o maior olival em extensão do Brasil, com a maioria das
árvores ainda jovens. "O desafio neste ano foi realizar nossa colheita de
forma simultânea em São Sepé, Caçapava e Barra do Ribeiro", diferencia o
sócio da empresa, que também atua em produção de mudas para eucalipto.
Segundo Marchetti, a colheita deste ano é considerada de
excelente qualidade. "Notamos uma melhoria contínua a cada nova safra,
baseada num acúmulo de novas experiências e busca de novas tecnologias para
aplicar desde o campo até à extração", destaca. Em 2017, a Tecno Planta
espera colher 110 toneladas de azeitonas nos olivais próprios e receber outras
40 toneladas de terceiros. A expectativa da empresa é produzir 15 mil litros de
azeite, com o volume de azeitonas dos campos próprios e de terceiros. Com isso,
um terço do volume gaúcho será gerado pela empresa.
O empresário de um segmento emergente na cena do agronegócio
gaúcho e brasileiro aponta que a Tecno Planta tem a vantagem de atuar em todos
os momentos da cadeia produtiva, do fornecimento de mudas ao plantio,
assistência técnica até a extração e venda do azeite. "Conseguimos diluir
custos de investimento para buscar inovações e melhorias." O rendimento
por hectare ainda é baixo, pois as árvores são jovens. Atualmente, é de uma a
duas toneladas por hectare. Cerca de 100 hectares já estão em produção.
"Quando as árvores tiverem de sete a 10 anos, a produtividade subirá para
seis a oito toneladas por hectare", projeta o produtor.
Ao mesmo tempo em que ocorre a colheita, já finalizada pelo
Tecno Planta em Caçapava do Sul, a elaboração do azeite já começou, mesmo que
aos poucos. "Tem de descansar uns dias e depois filtrar. Esperamos termina
toda a safra pra homogeneizar o lote", explica o sócio, que também se
envolve na lida da extração. O resultado do processamento depende da variedade
e índice de maturação da fruta. Marchetti diz que a colheita é mais precoce,
rebaixando o rendimento, mas "a qualidade é infinitamente superior".
O rendimento fica entre 10% e 15%. São necessários sete a 10 quilos de frutas
para obter um litro de azeite.
No viveiro e campo, a Tecno Planta tem mais de 30
variedades, que são observadas e acompanhadas na adaptação e produção.
Marchetti indica que as que mais se adaptam são Arbequina, Manzanillaha e
Picual (Espanha), Koroneiki (Grécia) e Frantoio (Itália). O produtor também explica
que a qualidade de um azeite extra virgem depende do frescor, frutado verde,
amargo e picante.
"O melhor azeite do mundo é aquele que foi produzido
mais próximo do mercado. O que valoriza o que se faz aqui, pois chega mais
rápido à mesa do consumidor", diz Marchetti. A dica serve para
desmistificar que o melhor azeite é o que vem, por exemplo, da produção
europeia. Tomado de journal do comercio de rgs br

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